Mistress Kaizen
4 de nov. de 2025
Descobre a verdadeira história e o significado de ser dominatrix: desde as sacerdotisas de Inana na Mesopotâmia, a era vitoriana até à realidade da profissão moderna.
Mistress, Dona, Mestra, Rainha, Deusa. O que são estas figuras, de onde vêm e o que significa, para Mim, usar qualquer um destes títulos? Este episódio é o mais completo que já fiz sobre a Minha própria profissão.
A origem da palavra
A palavra "dominatrix", tal como todos os seus sinónimos, vem do latim domina, que significa "senhora da casa", o feminino de dominus, "senhor da casa", usado na Roma Antiga para designar homens de alto escalão social, proprietários de terras, senhores de escravos. É deste lugar de posse e autoridade que nasce o termo que hoje uso todos os dias. No contexto fetichista, uma domina é simplesmente uma mulher que assume a posição de poder e dominância dentro do BDSM.
As sacerdotisas de Inana: as primeiras dominatrixes da história
Sempre que alguém Me pergunta quem foi a "primeira dominatrix da história", a Minha resposta é simples: desde que existe sexo consciente, existem posições de poder, alguém mais ativo, alguém mais passivo, e tudo aquilo que nos excita à volta dessa dinâmica. Mas se quisermos um registo histórico concreto, ele existe: há mais de 5000 anos, na Mesopotâmia, as sacerdotisas da deusa Inana, deusa do amor, da fertilidade, do sexo, mas também da justiça e da guerra, assumiam posições de poder absoluto sobre os seus devotos em rituais que envolviam dor física e mental, humilhação, e uma troca de energia intensa. Os devotos eram despidos, sofriam, e "renasciam em êxtase" através dessa entrega. Gosto de as chamar as primeiras dominatrixes da história, porque são, de facto, os primeiros relatos que temos de algo semelhante ao que Eu e as minhas colegas fazemos hoje.
Femdom: da era vitoriana à atualidade
Séculos mais tarde, já na era Vitoriana, houve um grande aumento de bordéis e casas independentes que ofereciam, por vezes exclusivamente, serviços de disciplina e flagelação. Foi assim que surgiram as "flagellatrixes": profissionais responsáveis por dominar, usar e abusar (sempre com consentimento) dos submissos e escravos que procuravam os seus serviços. É a partir daqui que começa a nascer a imagem mais próxima do que hoje reconhecemos como dominatrix profissional.
Trabalho sexual ou não? Uma divergência legítima
Há uma questão que gosto de abordar com honestidade porque vejo muita confusão à volta dela: nem todas as dominadoras se veem como trabalhadoras sexuais. Eu, pessoalmente, vejo, porque, para Mim, a partir do momento em que estás a lidar com a sexualidade de outra pessoa, a ganhar dinheiro com isso, e a providenciar uma experiência que traz satisfação sexual a alguém, isso é, por definição, trabalho sexual. Mas compreendo perfeitamente porque é que muitas das Minhas colegas não concordam: é muito raro alguma de nós vender contacto sexual direto, e várias veem a profissão como algo mais próximo do terapêutico do que do sexual. Não há forma certa nem errada de viver isto, é um tema extremamente subjetivo, sem nenhum órgão que dite regras universais, e cada dominadora acaba por construir o seu próprio significado para o título que carrega.
Respeito como base do BDSM
Se há algo que considero absolutamente não-negociável nesta profissão, é o respeito. Não importa se é um relacionamento romântico ou uma sessão profissional; não importa se é a sessão mais leve ou a mais pesada em termos de degradação, o respeito está sempre presente. É o respeito que garante que, a partir do momento em que um submisso usa a sua palavra de segurança, Eu paro. É também o respeito que sustenta o after care no final de cada sessão, a conversa, muitas vezes acompanhada de um momento de meditação, onde trocamos experiências e feedback. Já tive tantos submissos a dizerem-Me que a melhor parte da sessão, para eles, foi precisamente esse momento final, não os fetiches explorados em si.
No episódio partilho ainda mais sobre os diferentes arquétipos de dominadoras que existem, e a Minha opinião pessoal (bem direta, já aviso) sobre quem entra nesta indústria sem compreender a responsabilidade real que ela exige.
🎧 Ouve o episódio completo para perceberes a história, os arquétipos e a filosofia por trás do título que uso todos os dias.
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